Rockferry (2008) – Duffy

Por Almir Santos

Quando a cantora e compositora Duffy lançou seu primeiro álbum,” Rockferry”, em 2008, o Reino Unido estava tomado pela febre Amy Winehouse, que apenas dois anos antes havia lançado seu segundo trabalho,” Back to Black”. Isso não impediu que” Rockferry” fosse o álbum britânico mais vendido daquele ano. Ambas as cantoras sempre afirmaram que foram muito influenciadas pelo soul e r & b americanos, mas enquanto a londrina Amy mesclava essas referências com pitadas de ska e batidas eletrônicas mais contemporâneas, a galesa nascida na cidade de Bangor prestava tributo as divas Aretha Franklin, Gladys Knight, Tina Turner entre outras, gravando um disco com som totalmente vintage, como se tivesse saído dos estúdios da Motown. O grande hit do disco é a dançante “Mercy”. No restante do trabalho, Duffy nos brinda com “ um saco de canções e um coração pesado” (citando a letra de Rockferry) do alto de seus então vinte e quatro anos. A faixa título é uma daquelas músicas densas que penetram todos os sentidos do ouvinte. A típica canção que o mestre Tarantino pescaria para uma trilha sonora de responsa.

Outra contemporânea de Duffy e  Amy é a também britânica Joss Stone, com o soul e o jazz correndo em suas veias, com sua voz que lembra muito Janis Joplin.  Aliás, desde os anos 60 cantoras britânicas emplacaram sucessos nas paradas mundiais reciclando suas influências da música norte-americana.  Como é o caso da londrina Dusty Springfield, a que mais fez sucesso nos Estados Unidos, principalmente após o single de 1969 “ Son of a Preacher Man”, que acabou na trilha sonora de Pulp Fiction. Outra cantora vinda do País de Gales que também se destacou nos anos 60 foi Shirley Bassey, que interpretou várias músicas temas de filmes de James Bond. Voltando a nossa Duffy, além de “Mercy”, a balada “Serious” foi outro hit do álbum.

“Syrup & Honey” parece sair de alguma Jukebox de um bar de beira de estrada em alguma rodovia americana.

Uma curiosidade: eu conheci “Rockferry” de uma forma que não acontece mais. Estava na loja de discos Velvet, no centro de São Paulo  de olho nos vinis e CD’s e o som ambiente me chamou a atenção. O dono da loja, o senhor André Fiori, um ex colaborador da revista Bizz me empurrou o disco da jovem cantora. Nâo poderia deixar de dar crédito ao experiente lojista, que além de tudo é alvinegro praiano como eu.

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