Favoritos da Casa

por Almir Santos

A lista abaixo encerra a serie de textos já publicados e recuperados do blog.

Me perguntam quais os meus discos favoritos. Acho que está bem fiel ao que considero os discos de minha predileção, porque sempre fica algum de fora. Os critérios foram além de ser um dos favoritos da Casa, se algum trabalho marcou uma época de minha vida, influenciou na vontade de me aprofundar em um determinado estilo musical etc.

Revolver (1966) – The Beatles

Um ano antes de Sgt Peppers, os Beatles inauguravam sua fase “adulta”, aderindo ao psicodelismo e com letras mais profundas. A influência da música indiana se faz presente em “Love You To”,  no uso da cítara, instrumento que o guitarrista George Harrison aperfeiçoou com seus estudos com o mestre Ravi Shankar. Até mesmo nas baladas de Paul MacCartney notava-se mudanças. Em “Eleanor Rigby” o tema eram as pessoas solitárias e esquecidas, e a música termina com um final trágico e melancólico. “ Got to Get You into My Life”, não é a menina dos olhos do baixista, e sim a maconha. Na gravação de sua voz para “Tomorrow Never Knows” John Lennon queria soar como se fosse o Dalai Lama pregando no alto da montanha. A chamada música pop nunca mais seria a mesma.

Meus Caros Amigos (1976) – Chico Buarque

Um dos maiores trabalhos do grande cantor,  compositor e escritor Chico Buarque, Meus Caros Amigos, ao lado de Construção, encabeça a lista dos melhores trabalhos do artista carioca. O álbum acaba sendo um reflexo da fase em que Chico vivia na época, fazendo muita música por encomenda para teatro e cinema. As parcerias também predominam. “O Que Será (À Flor da Pele)”, conta com Milton Nascimento dividindo os vocais. Um anos após a morte do jornalista Wladimir Herzog, o que antecipou o movimento para o fim da ditadura, o disco já abre com esse canto libertário dizendo que “eles” não poderiam evitar a chegada dos novos tempos. “Mulheres de Atenas”, em parceria com o teatrólogo Augusto Boal ( que criou o Teatro do Oprimido) nos remete á Grécia das Helenas, em seu cotidiano. Ainda falando das mulheres, como só Chico sabe fazer, em seguida nos brinda com “Olhos nos Olhos”, desta vez falando da mulher em primeira pessoa, encarnando todo o sofrimento da fêmea que tem que refazer sua vida, e a vingança de mostrar para o ex que está refeita: “Olhos nos Olhos/ Quero ver o que você diz/ Quero ver como suporta/ Me ver tão feliz”. “Você Vai me Seguir”, parceria com Ruy Guerra, nos leva com seu ritmo até a chamada na chincha de “Vai Trabalhar Vagabundo”, escrita para o filme homônimo, dirigido por Hugo Carvana.  A rica construção harmônica de “Passaredo”, outra parceria com Francis Hime, fica ainda mais relevante com sua letra cheia de nomes de pássaros, alertando-nos para a chegada da presença do bicho homem. Perguntado se ele ou Hime haviam estudado biologia ou algo parecido para saber tantos nomes de pássaros, Chico humildemente respondeu: “Não, nós procuramos no dicionário”. Esta jóia se encerra com “Meu Caro Amigo”, uma carta em forma de música para Augusto Boal, que estava exilado em Portugal.

Ok Computer (1997) – Radiohead

Quando os britânicos do Radiohead estouraram com “Creep”, em 1993, o hit do álbum de estreia, Pablo Honey, muita gente dizia que a banda seria um “one hit wonder”, aqueles artistas que lançam um tremendo sucesso e depois somem completamente, sem conseguir atingir novamente o gosto popular. Já no segundo trabalho, The Bends, de 1995, constatava-se que a banda não buscava gerar uma nova Creep e o quinteto se firmou dentro do britpop, com destaque para a depressiva “Fake Plastic Trees”. Mas ninguém esperava o que viria em 1997. Ok Computer misturava elementos do rock progressivo com eletrônica, fúria com introspecção em um trabalho que denunciava o individualismo e o vazio do homem moderno no século XXI em meio ao “conforto” tecnológico. Sucesso de público e crítica, o disco menos comercial da banda até então alcançou um enorme sucesso mundial. Para muitos, o último disco que importa.

Revoluções por Minuto – RPM  (1985)

Lembro que esse disco eu ouvi até “ rachar”, mas com todo o zelo de quem manuseia um objeto precioso, sempre limpava com uma flanela e até hoje o vinilzão está sem os chuviscos das bolachas extremamente gastas.  1985 foi também o ano do Rock in Rio, do surgimento da revista Bizz, havia o programa Armação Ilimitada (seriado de aventura adolescente). Enfim, foi o big bang do pop rock nacional.  Um ano depois o quarteto paulistano se perderia em meio a hiperesposição, mas cometeu um trabalho de estreia impecável.O baixista e vocalista Paulo Ricardo era colaborador da revista Som Três e chegou a ser correspondente da publicação musical em Londres, trazendo na bagagem não só entrevistas com o Olimpo do rock internacional, mas também vivenciando in loco a cena londrina. Logo abandonaria os projetos de jazz rock e progressivo que desenvolvia com o tecladista Luiz Schivavon, quando tinham uma banda chamada Aura, com forte influência de Genesis, para focar no tecnopop, com forte influência da cena pós-punk, como comprova o Lado B do disco, em contraposição ao Lado A, onde estão os maiores hits. O guitarrista Fernando Deluqui, e o baterista P.A ( que entrou aos 45 do segundo tempo, substituindo Charles Gavin, que deixou a banda para ir para os Titãs) completaram o quarteto que gerou  Revoluções por Minuto, que figurou em uma lista dos 100 maiores discos brasileiros da revista Rolling Stone nacional.

Welcome (1973) – Santana

Quinto disco de estúdio do guitarrista mexicano Carlos Santana, que se consagrou no festival de Woodstock. Mais voltado para o jazz rock, movimento que crescia naquele período, com os trabalhos de Return to Forever, Weather Report, Mahavishhnu Orchestra, Herbie Hancock, Miles Davis entre outros, Welcome tem uma sonoridade bastante influenciada pela música brasileira, como pode ser percebido em “Love, Devotion and Surrender”, “Samba de Sausalito” e “Yours is the Light”, com os vocais da brasileira Flora Purim. Seu marido, o percussionista Airto Moreira, também participa do disco. O casal de músicos brasileiros radicados nos Estados Unidos também fez parte do já citado Return do Forever, expoente do jazz fusion.

Que País é Este 1978/ 1987 – Legião Urbana (1987)

O terceiro trabalho de estúdio da Legião Urbana, foi a trilha sonora oficial do colégio onde eu cursava o colegial (hoje ensino médio), em 1988. Lembro como se fosse hoje um dos caras mais velhos, que estudava no noturno, chegou de manhã no pátio com seu violão e tocou “Eu Sei”, antes do disco, antes de tocar nas rádios. Naquele tempo rolava essa coisa de fita gravada em show, e chegavam essas novidades. Foi um ano de grêmio estudantil, se interessar por política, ser aceito pela galera mais velha porque conhecia Pink Floyd, Chico Buarque, Milton, Fernando Brant. A gente também ouvia muito punk na época ( Inocentes, Garotos Podres, Toy Dolls, Cólera), então esse disco mais cru dos brasilienses caiu como uma luva. As canções eram na verdade sobras do repertório do Aborto Elétrico, banda punk de Brasília, que foi a base tanto da Legião, quanto do Capital Inicial. Tinhamos também uma rádio que funcionava nos intervalos das aulas, o som circulava no pátio com músicas, informativos e dicas culturais. E claro, rolou muito “Angra dos Reis”, “Faroeste Cabloco”, “Química” na saudosa  Rádio Conte.

Esse foi também o último disco com o baixista Renato Rocha.

Only By The Night (2008) – Kings of Leon

Em seu quarto registro de estúdio, os rapazes do Kings of Leon, banda formada pelos irmãos Caleb, Jared e Nathan Followil (respectivamente guitarra e vocal, baixo e bateria) e pelo primo Mathew Followill na guitarra solo decidiram deixar de ser “apenas” a mais  conceituada banda indie de Nashville, Tennessee daquele começo de século 21 e tentar subir mais um degrau rumo ao Olimpo da música pop internacional. Desde sua estreia em 2003 com “Youth & Young Manhood”, quando nos brindaram com a pegajosa “Molly’s Chambers”, a banda vinha conciliando um consistente respeito no circuito indie a críticas positivas nas publicações especializadas. Durante as turnês do terceiro trabalho, “Because of the Times” (2007)  chegaram a tocar em ginásios e grandes estádios abrindo para U2, Bob Dylan, entre outros, atingindo um novo público. A sonoridade indie com pegada country associada uma levada punk fez com que alguns críticos categorizassem o som do Kings como um cruzamento entre Creedence  e Ramones. Mas em 2008 tudo mudou. Canções mais pop, arranjos com mais teclados, bateria eletrônica e claro, hits de fm como “Sex on Fire”, “Use Somebody” e “Manhattan”. Mas Only By the Night vai além dos “cavalos de batalha”. É um daqueles discos para se ouvir de uma vez, do começo ao fim. Da climática a lá U2 “Closer”, para as visões proféticas da América crucificada em “Crawl”, fechando com a densa “Cold Desert”, que pode ser considerada a “Black” do Kings of Leon (“Jesus não me ama / Ninguém nunca carregou minha carga/ Eu sou muito jovem para me sentir tão velho”).

Gil & Jorge – Ogum Xangô (1975)

O clássico Ogum Xangô, que reuniu Jorge Ben ( que ainda não era Ben Jor) e Gilberto Gil já apareceu aqui no neurônios.

Segue o link da dica do nosso editor:

Lark’s Tongues in Aspic (1973) – King Crimsom

Se aparecesse na minha frente um gênio da lâmpada e me concedesse o privilégio de voltar no tempo e fazer parte de qualquer banda do passado, eu não escolheria ser um membro dos Beatles, nem dos Rolling Stones, muito menos do glorioso Queen, ou mesmo dos nativos Mutantes. Eu escolheria integrar a encarnação do Rei Escarlate de 1972, que gravou o Lark’s Tongues in Aspic. David Cross me fez tocar violino imaginário incontáveis vezes, quantas vezes me imaginei tocando o poderoso baixo do John Weton em Talkin Drum, a guitarra atormentada do mestre Robert Fripp em Easy Money, a bateria de Bill Bruford em Larks Tongues in Aspic e a percussão de Jamie Muir em Exiles.  Se você ficou interessado em saber mais sobre esse trabalho do King Crimson, Neurônios com Arte já fez uma viagem ao ano de 1972 e contou essa história.

Clica aqui no link:

Quatro Coiotes- RPM (1988)

Quatro Coiotes foi o disco da primeira volta do RPM. A banda havia sucumbido ao megaestrelato, às divergências musicais e a guerra de egos após o estouro do ao vivo Rádio Pirata, de 1986. As rádios começaram a tocar uma versão ao vivo de “London London”, de Caetano Veloso, e logo se tornou a música mais tocada do Brasil e não havia um disco para a gravadora faturar. Então gravaram um ao vivo logo após o disco de estúdio, chegando a vender quase 3 milhões de cópias. Em 1988 a banda reuniu os cacos, quando o RPM já era uma instituição,  um “INSS” pesadão e burocrático. Fale com meu advogado daqui, fulano mais interessado em comprar um prédio do que em tocar etc. Nesse tempo haviam montado um selo, que lançou o disco de estréia da banda Cabine C, sem sucesso. Para o segundo trabalho de estúdio, os “coiotes” abandonaram os hits pegajosos de fm e trocaram o tecnopop por um pop rock  dançante com forte influência da psicodelia sessentista. Paulo Ricardo chegou a gravar versões em inglês, pois o disco ia ser lançado no mercado internacional, projeto depois abortado. “Show It to Me”, composta originalmente na língua inglesa, encerra o álbum. O disco contou também com a participação de Bezerra da Silva na música “O Teu Futuro Espelha essa Grandeza”.

Lotus (1974) – Santana

Álbum ao vivo da banda Santana, saiu em vinil triplo, e para os colecionadores de raridades do formato, Lotus é item obrigatório. Dá a impressão de que as três bolachas vem de brinde, tamanha é a quantidade de encartes, envelopes envolvendo os vinis, com letras e arte misturando figuras religiosas indianas com cristãs, fotos da banda e tome mais encarte e fotos do avião da  tour…

The Rising (2002) – Bruce Springsteen

Um ano após os acontencimentos do 11 de Setembro, Bruce Springsteen voltava a soltar um álbum após um hiato de sete anos. E o primeiro com a sua fiel banda de apoio, a E Street Band em 18 anos. A nação norte-americana procurava um renascimento, uma reflexão sobre seus valores e uma nova tentativa de se comunicar com o mundo, principalmente com as nações de culturas, ideologias e religiões diferentes. A maioria das músicas foi inspirada nos acontecimentos após o ataque terrorista, canções de questionamentos, de desespero e também de esperança . Destaque para “Worlds Apart”, sobre a tentativa de entender o outro, com sua mistura de rock e música árabe. “Waiting on a Sunny Day” foi o hit do álbum.

Tim Maia (1970)

A estreia de Tim Maia foi um furacão, que trouxe em seu turbilhão uma mistura de MPB, soul e funk que daria início ao movimento black no Brasil anos depois. Alguns dos seus maiores clássicos estão nesse LP ( “Primavera”, “Azul da Cor do Mar”, “Coroné Antonio Bento”). Marcou presença na Rolling Stone brazuca em uma lista dos melhores discos brasileiros de todos os tempos, em uma honrosa vigésima quinta colocação.

Live (1973) – Uriah Heep

Quando se fala na santíssima trindade do hard rock ( os ingleses  do Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath), para muita gente a história injustiçou um quarto membro que poderia fazer parte desse seleto grupo. Embora mundialmente famosos, nunca alcançaram o mesmo reconhecimento dos três outros dinossauros do rock pesado. São muitos discos essenciais, mas comece pelo “Demons & Wizards”, de 1972 e claro, por esse ao vivo, de 1973, meu primeiro contato com o Uriah Heep. Considerado um dos maiores álbuns ao vivo do rock, é um flagrante da chamada “Era Byron”, a melhor fase da banda,  em uma performance antológica. O vocalista David Byron, até hoje um dos maiores vocalistas do gênero, o mago dos teclados Ken Hensley, o eterno guitarrista Mick Box, o batera Lee Kerslake e um dos maiores baixistas que já pisou esse planeta, Gary Thain. Isso é mais do que música, é história.

Sobrevivendo no Inferno (1997) – Racionais Mc’s

Recentemente estava vendo uma entrevista com o KL Jay, DJ dos Racionais, e o mano contava orgulhoso que até hoje aparecem pessoas que chegam para ele contando histórias de como o Sobrevivendo no Inferno foi fundamental na tomada de consciência, como jovem da periferia. O músico contou que um rapaz, que hoje era um advogado bem sucedido, entendeu o que a banda dizia sobre ser “ um preto tipo A”. E o jovem doutor afirmou que se não fosse pelas mensagens subliminares de “Sobrevivendo…”, talvez hoje ele fosse estatística, morto pela polícia, ou mais um membro da massa carcerária. O que muita gente viu como apologia ao crime, ouvidos mais atentos viram como crônica de um país negro, a nova velha senzala ganhando voz. Musicalmente o disco, que vendeu mais de um milhão e meio de cópias de um lançamento independente, abriu portas para a explosão do rap nacional. Foram capa da revista Bizz, receberam prêmio da MTV, mas boicotaram a Globo. Hoje, antenados com o atual momento político, provavelmente boicotariam a emissora do bispo. O clássico dos Racionais abre com uma releitura de “Jorge da Capadócia”, de Jorge Ben Jor, com sampler de Isaac Hayes. Ficou em décimo quarto lugar na famosa lista da Rolling Stone dos melhores discos nacionais.

A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970) – Os Mutantes

Escolher um trabalho da mais relevante banda que esse país já teve não é tarefa fácil. O álbum Mutante da predileção do Neurônios já foi resenhado em um texto maneiro em 2015. Confere aí:

Clube da Esquina – Milton Nascimento e Lô Borges (1972)

Disco oficial do movimento musical iniciado em Belo Horizonte em 1963, fruto da amizade do músico Milton Nascimento com os meninos da família Borges. Logo integrariam o “clube” Tavinho Moura, Wagner Tiso, Beto Guedes, Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Tavito, entre outros. Capitaneado por Milton e Lô Borges, mas contando com a colaboração de grande parte dos músicos já citados, Clube da Esquina é considerado um dos maiores discos brasileiros de todos os tempos. Com uma forte influência de Beatles associada á tradição da música mineira, pitadas de progressivo com pão de queijo, em alguns momentos dessa obra espetacular nos sentimos nas Gerais na época dos inconfidentes, em outros momentos viajamos no trem azul, com o sol na cabeça, inventamos o cais  e encontramos um girassol da cor dos seus cabelos.

The Doors (1967)

Lembro que no comecinho dos anos 80 havia um moleque de 6 anos que curtia os desenhos da Marvel, do Pica-Pau, e os seriados do Batman, Ultraman e Ultraseven e nas tardes de sábado descobriu um programa na TV Cultura de São Paulo chamado Som Pop. Então foi rock e desenho animado na tv telefunken preto e branco. As cores só nos gibis Heróis da TV da editora Abril. Então, essa introdução nerd roots é só para situar o estimado leitor ao fato de que quando surgiu o boom do pop rock brasileiro ( Paralamas, Barão, Kid Abelha),o já citado moleque  já curtia os velhões, ia direto na fonte. The Doors dos anos 60 e o Duran Duran, contemporâneo da época, lembro que foram minhas primeiras bandas cultuadas, de comprar revista na banca etc. Meu primeiro vinil dos Doors na verdade foi a coletânea The Best of, mas depois completei toda a coleção em CD. A primeira banda em que tinha tudo, inclusive raridades. O estilo “teatral” de tocar da banda, com os instrumentos emulando sons de locomotiva, tiros, aliados a poesia beatnik de Jim Morrison. Muito antes do filme de Oliver Stone, os californianos eram tão malditos quanto os Stooges e o Velvet Underground.  O primeiro CD que comprei foi o Morrison Hotel, mas The Doors, de 1967, é o disco que representa essa que talvez tenha sido a maior banda de todos os tempos, afinal os Beatles e os Stones foram apenas os mais famosos.

Lar de Maravilhas (1975) – Casa das Máquinas

Para o seu segundo registro de estúdio, os paulistanos do Casa das Máquinas, banda que seguia a cartilha do hard rock liderada pelo baterista Netinho (ex Incríveis) gravou um disco mais voltado para o rock progressivo. Para a nova empreitada chamaram o tecladista Mario Testoni Jr e um segundo baterista, Marinho Thomaz, irmão mais novo de Netinho. Clássico do progressivo nacional, Lar de Maravilhas contou ainda com a colaboração de um jovem compositor de 16 anos em três faixas. Na década de oitenta esse compositor seria vocalista do Golpe de Estado, com o nome artístico de Catalau. Após mais um disco em 1976 (Casa de Rock), o Casa das Máquinas encerrou suas atividades em 1978, só retornando aos palcos em 2007 para o festival Psicodália em Rio Negrinho (SC), permanecendo em atividade até os dias atuais. A formação atual do Casa conta com Marinho Thomaz na bateria, Mario Testoni Jr no órgão e teclados, Marcello Schevano na guitarra, João Luiz nos vocais e Fabio Cesar no baixo.

Loki (1974) – Arnaldo Baptista

Após sua saída dos Mutantes e com o fim do relacionamento com Rita Lee, Arnaldo Baptista estreou como um artista solo desabafando para o mundo as angústias e incertezas em relação ao Brasil, sua carreira artística e principalmente, sua vida pessoal. Parafraseando Gonzaguinha, “eis aqui uma pessoa se entregando”.  O auge criativo do ex mutante foi também o início de sua derrocada. Com o agravamento de seus problemas psiquiátricos e o abuso de drogas, Arnaldo foi se tornando um artista maldito, montando vários projetos ao longo dos anos 70 ( como foi o caso da antológica Patrulha do Espaço), culminando com seu internamento  para tratamento mental no começo dos anos 80. O legado dos Mutantes foi sendo reconhecido pelas gerações posteriores e Loki é hoje considerado um dos mais influentes trabalhos da música brasileira.

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