3 Tributos – Odair José, Roberto & Erasmo e Arnaldo Baptista

Por Almir Santos

  • Originalmente publicado em Setembro de 2018

Muitos são os discos tributo despejados no mercado, alguns são trabalhos profundamente comprometidos em homenagear e revisitar a obra do artista, outros verdadeiros caça níqueis, coletâneas de canções sem o cuidado artístico e envolvimento com a obra original. Como foi o caso de muitos discos tributos a Raul Seixas, por exemplo.

Felizmente três expoentes da música brasileira ganharam discos tributos de qualidade acima de média, e o que é melhor, foram homenageados ainda em vida. É claro que em trabalhos como esses há altos e baixos, algumas músicas ficam bem abaixo da primeira versão, outras conseguem dar uma nova visão da canção regravada, e em alguns casos ficam melhores do que o original.

 Vou Tirar Você Desse Lugar (2005)

Os conterrâneos de Odair José, os goianos do selo Alegro Discos, cometeram um dos melhores discos tributo dos últimos tempos. Mesclando nomes da cena indie como Mombojó, Suíte Super Luxo a artistas consagrados como Paulo Miklos, Pato Fu e Zeca Baleiro, “Vou Tirar…”  nos leva por uma instigante viagem ao mundo de Odair José. Apelidado pejorativamente pela crítica especializada de terror das empregadas e Bob Dylan da Central do Brasil, para muita gente Odair foi injustamente incluído no nicho da chamada música brega. Suas músicas de forte apelo popular também continham ao seu modo uma certa crítica social nas entrelinhas em temas como controle da natalidade, amor livre, prostituição em pleno regime militar. O compositor goiano tem um disco “maldito”. “O Filho de José e Maria” é um álbum conceitual que conta a história de Jesus livremente adaptada ao submundo do Rio de Janeiro. O trabalho original seria duplo, com 24 faixas, mas acabou saindo em 1977 com 10 canções, após exaustivas brigas com a gravadora. Foi um fracasso de vendas, porém cultuado ao longo dos anos.

 Vou Tirar Você Desse Lugar – Paulo Miklos

Vida Que Nâo Pára – Suzana Flag

Uma Lágrima – Pato Fu

Eu Queria ser Johnn Lennon – Columbia

Ela Voltou Diferente – Mombojó

Eu, Você e a Praça – Zeca Baleiro

Deixa Essa Vergonha de Lado – Mundo Livre S/A

Foi Tudo Culpa do Amor – Suíte Super Luxo

Nunca Mais – Shakemakers

E Ninguém Liga Pra Min – Leela

Cadê Você? – Sufrágio

Esta Noite Você Vai Ter Que Ser Minha – Picassos Falsos

A Maçã e a Serpente – Poléxia

A Noite Mais Linda do Mundo ( A Felicidade ) – Jumbo Elektro

Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pílula) – Arthur de Faria & Seu Conjunto

Que Saudade de Você – Terminal Guadalupe

Vou Contar de Um a Três- Volver

Cotidiano n.3 – Los Pirata

Rei (1994)

A Sony Music botou o seu platinado casting para homenagear a mais bem sucedida dupla de compositores da casa, Roberto e Erasmo Carlos. Totalmente focado nas músicas  registradas nos discos do rei Roberto, o trabalho solo de Erasmo passou batido na coletânea. As canções revisitadas são quase todas da fase rock, desde a Jovem Guarda passando pela fase soul no começo dos anos 70, como relembram Chico Science & Nação Zumbi em “Todos Estão Surdos”. O cartunista Angeli, criador da Rê Bordosa, Bob Cuspe e da saudosa revista Chiclete Com Banana é o responsável pela capa. No encarte todos os artistas do tributo aparecem reunidos pelo traço do cartunista paulistano.

É Proibido Fumar – Skank

Eu Te Darei o Céu – Carlinhos Brown

Namoradinha de um Amigo Meu – Tony Platão

Sua Estupidez – Paulo Miklos

Ilegal, Imoral ou Engorda – Biquini Cavadão

Cavalgada – Banda Vexame

Quando – Barão Vermelho

Todos Estão Surdos – Chico Science & Nação Zumbi

Parei na Contramão – Cassia Eller

Por Isso Corro Demais – Marina Lima

Eu Sou Terrível – João Penca & Seus Miquinhos Amestrados

Sentado À Beira do Caminho – Blitz

As Curvas da Estrada de Santos- Kid Abelha

Sanguinho Novo (1989)

A gravadora Eldorado reuniu um timaço da cena independente do rock oitentista para homenagear e também ajudar o ex Mutante Arnaldo Baptista, que se recuperava de um acidente ao tentar escapar de uma clínica para tratamento mental. Composições da carreira solo de Arnaldo são a maioria, mas a fase Mutantes também é relembrada. Destaque para Paulo Miklos, que em “Superfície do Planeta” tocou o mesmo órgão Hammond utilizado por Arnaldo na gravação original. Aproveito a oportunidade para dar o título de Mister Tributo ao ex Titã, onipresente nas três coletâneas.

O Sol – Sexo Explícito

Dia 36 – 3 Hombres

Bomba H sobre São Paulo – Vzyadoq Moe

A Hora e a Vez do Cabelo Nascer – Sepultura

I Fell in Love One Day – Último Número

Superfície do Planeta – Paulo Miklos

Sanguinho Novo – Akira S e As Garotas Que Erraram

Jardim Elétrico – Ratos de Porão

Ce Tá Pensando Que Eu Sou Loki? – Fellini

Sitting on The Road Side – Atahualpa Y os Panquis

É Fácil – Skowa

Te Amo, Podes Crer – Maria Angélica Nâo Mora Mais Aqui

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