3 Documentários musicais essenciais

Por Almir Santos

Simonal – Ninguém sabe o duro que dei ( 2009)

A trajetória de um dos mais completos artistas brasileiros dos anos 60 e 70 e sua tragédia pessoal, uma confusão envolvendo um suposto desfalque de seu contador, o que acabou em acusação para o artista de colaboração com o governo militar, encerrando prematuramente uma brilhante carreira no auge. Para contar a história de Wilson Simonal, o diretor Claudio Manoel conseguiu resgatar importantes imagens de arquivo dos Festivais e outros shows históricos ( destaque para Simonal regendo um coro de 30 mil pessoas no Maracanã ao abrir um show de Sergio Mendes), e depoimentos de amigos e pessoas ligadas aos fatos que marcaram os dias do cantor.  Miele, Nelson Motta, Pelé Chico Anysioentre outros dão sua opinião sobre quem foi Simonal,  dedo-duro ou inocente? Colaborador do Dops ou apenas um cara marrento e falastrão? Os depoimentos dos filhos Max de Castro e Simoninha, pontuando diversas passagens do documentário com lembranças pessoais nos ajudam a entender uma das páginas mais controversas da história da música popular nacional.

Loki – Arnaldo Baptista ( 2008)

 

“ O Arnaldo Baptista é responsável por quase tudo o que aconteceu no Brasil de 67  pra cá”. Essa afirmação do maestro Rogério Duprat, que foi o arranjador dos Mutantes na sua fase clássica, pode ser comprovada ao longo dos 120 minutos do trabalho do diretor Paulo Henrique Fontenelle. Do menino que cresceu na Pompéia (bairro paulistano considerado berço da cena roqueira local) com os irmãos Sergio Dias e Claudio Baptista e viram um novo mundo ao som dos Beatles, passando pelo Tropicalismo e a influência sobre os artistas da MPB, a separação de Rita Lee, a conturbada carreira solo e os problemas com LSD culminando com a queda da janela de um hospital onde Arnaldo estava em tratamento psiquiátrico. Depois, o renascimento sob os cuidados da antiga fã e futura companheira Lucinha até a volta com o surpreendente Let it Bed (2004) e o revival dos Mutantes em 2006 com Zélia Duncan substituindo Rita Lee. Eu sou suspeito para falar de Loki, seja este documentário ou o disco homônimo, pois trata-se simplesmente do artista de minha predileção.

Botinada: A origem do punk no Brasil ( 2006)

 

Curioso como justamente um doc sobre “ o lixo e a fúria “ do movimento punk brasileiro se tornou um trabalho com um clima tão divertido e nostálgico. Um período importante da cultura independente que é relembrada por membros de diversas bandas do movimento como Cólera, Ratos de Porão, Garotos Podres, Inocentes e jornalistas e agitadores culturais como Antonio Bivar e Kid Vinil,  que viveram e fomentaram o punk rock brazuca, principalmente na capital paulista. Excelente trabalho de pesquisa do diretor Gastão Moreira, ex VJ da MTV, e que atualmente apresenta os seus, como ele mesmo gosta de dizer, quitutes musicais no programa Gasômetro da Kiss FM.

 

 

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