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REALIDADE MUSICAL

REALIDADE MUSICAL – A MUSICA COMO ELA É

Por Almir Santos

Nos meus tempos de faculdade de Comunicação Social (parece que já faz muito tempo), houve uma palestra com o jornalista José Roberto Burnier. Diante de uma atenta plateia composta majoritariamente por futuros focas, o tema “Jornalismo Investigativo” foi desenvolvido pelo repórter global, não deixando de contar um pouco de sua longa trajetória. Dentre tantas matérias, a que Burnier revelou mais se orgulhar foi a cobertura da chamada “máfia da propina”, envolvendo os fiscais da administração municipal de São Paulo no Governo Celso Pitta (1997-2000), quando fez mais de 400 reportagens sobre o tema em um ano e recebeu várias ameaças de morte. Opa, a tríade “máfia-fiscais-prefeitura” parece uma pauta atual, mas deixa pra lá. Porque a menção da referida palestra foi só um gancho para a ideia que me ocorreu logo em seguida. Comecei a viajar na ideia de uma revista que cobrisse a cena musical, mas com foco na linha investigativa, cobrindo os bastidores do show business. Em uma bombástica matéria de capa, o Caco Barcelos denunciando um imaginário empresário Rique B, que explorava as bandas iniciantes, obrigando seus contratados a compor em ritmo de “produção industrial” e fazendo contratos em que ficava com a maior parte dos lucros. Em colaboração com o WikiLeaks, a publicação obteria os arquivos secretos da CIA que comprovariam que Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison não morreram de overdose, mas foram envenenados pelo serviço secreto norte-americano. Em “Na Cama com Justin Bieber”, uma repórter se passaria por fã do artista canadense e relataria o que realmente rolou na festa com garotas, bebidas e substâncias ilícitas. “Realidade Musical”, o nome que daria para esse projeto ( com o subtítulo “a música como ela é), seria assim. Claro que foi só uma divagação, mas nos faz pensar como falta coragem por parte das editoras em apostar em algo novo. Por outro lado, em plena era da internet, como vender uma nova ideia de revista para quem não consome mais nem disco, só baixa arquivo… Em um cenário em que uma revista como a Bizz não circula mais nas bancas, talvez o espaço para apostas seja mesmo no campo virtual. Nem sei se “Realidade Musical” seria legal, se seria um flop, talvez não quisesse nem editar ou colaborar, mas gostaria de vê-la na banca.
Postado por NEURÔNIOS COM ARTE às 09:02 Nenhum comentário:
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ALTA INFIDELIDADE: Sobre Talaricos Ilustres

Por Almir Santos

Imagina a cena: Uma banda de punk rock consagrada convive com uma crise interna gerada por um triângulo amoroso. Os principais membros da banda, o vocalista e o guitarrista quase não se falam, e esse clima perdura até a morte de ambos, apesar de cumprirem seus compromissos profissionais. Parece um roteiro criado para o cinema, mas a banda em questão são os Ramones. Há controvérsias, uns dizem que Johnny Ramone simplesmente roubou a namorada de Joey, Linda. Especula-se que o casal já havia terminado quando o guitarrista deu em cima da ex do vocalista. Ao menos, o notório acontecimento gerou a canção “The KKK Tokk My Baby Away”, uma resposta de Joey para o guitarrista talarico. Termo popular, talarico também é conhecido como “fura-olho”, quem cobiça a mulher do próximo, nesse caso mulher de “amigo”. Mas nem sempre uma situação tão complicada consegue abalar uma forte amizade. Apesar dos anos de crise, e mesmo após perder sua mulher para Eric Clapton, George Harrison comportou-se como um autêntico lorde inglês. A modelo Patty Boyd, pivô dessa história, merece também uma menção honrosa por ter inspirado dois dos maiores clássicos do rock mundial. O beatle compôs a balada “Something” para sua amada, e Clapton, a pungente “Layla”, mudando o título de sua obra-prima porque não poderia chamar a música de “Patty”. Em sua excelente autobiografia (“Vida”),Keith Richards relata o conturbado triângulo que culminou com a namorada do guitarrista Brian Jones, Anita Pallenberg, rompendo com Jones para ficar com Richards, o que agravou o já instável relacionamento de Brian com os Stones. Talarico comparece frequentemente no imaginário do blues com o termo back door man ( homem da porta dos fundos, alcunha para amante) em músicas como a própria “Back Door Man”, de Wilie Dixon, imortalizada pelos Doors. Em Vida Loka (Parte 1) Mano Brown se defende: “Talarico nunca fui / é o seguinte/ ando certo pelo certo, como 10 e 10 é 20”. Em “Talarico, Ladrão de Mulher”, Zeca Pagodinho alerta que o sujeito não é de confiança. Não poderia deixar de fora o romance protagonizado por Steven Tyler (vocalista do Aerosmith) e a ex-coelhinha da Playboy Bebe Buel. Desse affair resultou o nascimento da atriz Liv Tyler, filha que o cantor só ficou sabendo que era sua muitos anos depois. No meio dos anos 70 Buel tinha um relacionamento com o músico Todd Rundgren. Em tempo: o nome verdadeiro do frontman do Aerosmith é Steven Victor Tallarico.