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NOVOS BAIANOS – ACABOU CHORARE (1972)

NOVOS BAIANOS – ACABOU CHORARE (1972) O encontro entre Jimmy Hendrix e João Gilberto

por Almir Santos

Com seu segundo trabalho, os Novos Baianos criaram um dos maiores clássicos da música brasileira. E claro, lançaram o primeiro disco de rock brasileiro, totalmente influenciado pela psicodelia da época (Hendrix, Janis Joplin), mas emoldurado pelo samba de Assis Valente, que abre o disco na regravação de “Brasil Pandeiro”. O rock nacional já havia flertado com o samba, os Mutantes fizeram muito bem isso com “A Minha Menina”, de Jorge Ben, mas Acabou Chorare é todo pontuado por choro, samba, afoxé sem perder a pegada “bicho grilo” da época. Uma constelação de craques que reunia Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Baby Consuelo aliada à parte instrumental do conjunto composta por Pepeu Gomes (guitarra) Jorginho Gomes (bongô), Baixinho (bateria e bongô) e Dadi (baixo). A retaguarda elétrica da banda foi o embrião do grupo A Cor do Som. Na época os Baianos moravam em comunidade em um sítio no Rio de Janeiro. Uma história curiosa foi a visita de João Gilberto. Dadi ao ver aquele homem todo de terno chegando pensou que o grupo havia “dançado com os hómi”, que se tratava de alguém das forças de repressão do governo militar. Além de apresentar um baú de canções dos anos 30 e 40 e redefinir a musicalidade do grupo, João acabou involuntariamente dando o nome do disco que ainda estava em fase embrionária. Acabou Chorare era uma frase que a filhinha de João Gilberto e Miúcha (Bebel Gilberto) pronunciava. O letrista do grupo Galvão e Moraes Moreira compuseram uma hipnótica canção que tem um belo jogo de palavras que nos conduz por um cenário de paz e harmonia, provavelmente a descrição da comunidade onde viviam. O maior hit do disco, que foi um estrondoso sucesso na época, foi “Preta Pretinha”, uma balada com mais de seis minutos, culminando com o famoso refrão “eu ia lhe chamar / enquanto corria a barca”. Na sequência, “Tinindo Trincando” mostra Baby Consuelo em sua melhor forma. Paulinho canta em “Swing de Campo Grande” e “Mistério do Planeta”, que termina com uma pegada a lá Santana. Baby ainda arrasa em “A Menina Dança”, que foi regravada por Marisa Monte. Moraes reaparece em “Besta é Tu”, outro grande sucesso do disco. Em “Um Bilhete Pra Didi”, a única instrumental do disco, Pepeu Gomes mostra porque seria considerado em pouco tempo um dos maiores guitarristas do Brasil. “Preta Pretinha” volta pra encerrar a viagem dos baianos em uma versão menor e a sensação é de que ficou tudo lindo.E nossa música muita mais rica.

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