Lindo Sonho Delirante Vol. 2

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Por Almir Santos

 

Continuação do já essencial Lindo Sonho Delirante,  lançado em 2016, o ex- editor da saudosa revista underground Poeira Zine Bento Araújo solta um segundo livro resenhando 100 discos nacionais dedicados aos sons mais audaciosos (como frisa o próprio autor), agora com os álbuns lançados no período 1976-1985.  Musicalmente mais abrangente do que o primeiro volume, que focava mais no som de influência do movimento psicodélico,  o segundo volume vai do progressivo a MPB, passando pelo jazz rock, funk, samba com a presença de muitos discos instrumentais. Antes do estouro do pop rock nacional do meio da década de 80 muitos artistas lançaram discos de forma independente, mostrando que o caminho era viável, alguns produzindo trabalhos que à margem do “caos” da grande mídia hoje são clássicos obrigatórios, como é caso de “Clara Crocodilo”, de Arrigo Barnabé. Assim como o primeiro volume, LSD 2 é bilíngue, com textos em português e inglês, e antes do lançamento nacional,  nosso incansável autor  percorreu algumas das mais prestigiadas lojas de discos no exterior para o pré-lançamento gringo do trabalho.  Em meados de novembro compareci no Instituto Musical IMKS para prestigiar o lançamento do livro, evento que contou ainda com a presença do jornalista e crítico musical Regis Tadeu;  Sossego,  um ex produtor de Roberto Carlos; o guitarrista Jarbas Mariz; o Sr. Geraldo Lowenberg, presidente da Alldisc, empresa de licenciamento fonográfico; o ex VJ da MTV e atualmente na Jovem Pan Edgard Piccoli e o pesquisador musical e apresentador do Vitrola Verde Cesar Gavin, entre outros. Assim como o primeiro, esse segundo sonho delirante já nasce obrigatório.

 

 

Som Nosso  ( 1977) – Som Nosso de Cada Dia

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Uma das bandas mais relevantes do rock progressivo nacional, o Som Nosso de Cada Dia já marcou presença no primeiro volume de Lindo Sonho Delirante com o clássico Snegs, de 1974. Após a saída do tecladista Manito,  um dos fundadores do grupo, o Som Nosso,  sob influência do novo produtor, que trabalhava com astros do soul nacional, lança um disco com um lado A funk e um lado B mantendo as raízes progressivas. A música de trabalho “Pra Swingar” é sucesso nos bailes black até os dias de hoje. Em 2012 foi música tema do seriado Suburbia, da Rede Globo, e atualmente faz parte da trilha sonora da novela O Sétimo Guardião.

 

Respire Fundo (1978)  – Walter Franco

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Terceiro trabalho do paulistano Walter Franco, é um pouco mais acessível do que os dois trabalhos anteriores, pero no mucho. O time que participa das gravações dava para fazer um festival. Destaque para o mutante Sergio Dias tocando cítara, Jaques Morelenbaum, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, João Donato, Sivuca, Altamiro Carrilho e membros do A Cor do Som. Os futuros astros do rock oitentista Lulu Santos, Lobão e Ritchie, que na época eram membros do progressivo Vímana, também constam da lista.

 

 

Clara Crocodilo (1980) – Arrigo Barnabé e A Banda Sabor de Veneno

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O paranaense de Londrina Arrigo Barnabé só encontrou abrigo para sua alma atormentada na caótica São Paulo, quando ao lado de Itamar Assumpção, Grupo Rumo, Premeditando o Breque, Tetê Espíndola, entre outros, iniciou o movimento conhecido como Lira Paulistana.

O punk dodecafônico de  Clara Crocodilo é hoje muito mais do que um álbum conceitual que marcou o movimento vanguardista paulistano, é constantemente citado entre os 100 álbuns essenciais da música brasileira. E isso não é pouca coisa.

 

Circense ( 1980) – Egberto Gismonti

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Filho de pai libanês e mãe italiana, Gismonti nasceu em 1947, na pequena Carmo, interior do Rio de Janeiro. Da sua extensa discografia, Circense é um dos trabalhos mais conhecidos no Brasil. Destaque para “palhaço”, singela canção pontuada pelas gargalhadas de crianças. A produção da capa do vinil tem um layout que simula uma lona de circo na capa, que envolve o envelope interno que abriga a bolacha, com uma foto do músico. Ao tirar o envelope da capa  mais detalhes  dos músicos, enfim,  um biscoito fino como não se faz mais hoje em dia.

 

Depois do Fim (1983) – Bacamarte

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Formado no Rio de Janeiro no meio da década de 70, o Bacamarte só registrou seu primeiro trabalho em 1983, quando o rock progressivo já não impactava na grande mídia. O que não impediu que o trabalho dos cariocas causasse um borburinho, a começar pela Fluminense FM, de Niterói, rádio rock que tocava o som da banda em sua programação antes mesmo de haver um disco, fazendo com que os ouvintes cobrassem um disco do Bacamarte. Após negociações frustradas com as gravadoras, Depois do Fim saiu de forma independente. Cultuado mundo afora, já figurou em uma lista de 40 maiores álbuns de progressivo de todos os tempos, ao lado de Yes, King Crimsom, Gentle Giant, entre outros. O Bacamarte também revelou a vocalista Jane Duboc, que após o fim da banda trilhou uma bem sucedida carreira solo.

 

 

Leia também:

A resenha do primeiro volume de Lindo Sonho Delirante:

Lindo Sonho Delirante

 

Alucinação (1976), clássico de Belchior, também presente no segundo volume de Lindo Sonho Delirante:

Belchior – Alucinação (1976)

 

 

 

 

 

 

 

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