Ainda na estrada

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por Almir Santos

Ainda precisando dirigir com cuidado após as curvas sinuosas da coletânea do Bob Seger, no texto passado, cheguei a conclusão de que vale a pena continuar seguindo sem rumo revisitando os clássicos inspirados ou que tem tudo a ver com as viagens mais marcantes das nossas vidas. Afinal, a estrada se confunde com a nossa incerta trajetória por esse plano físico, onde nós não sabemos de onde viemos, por que estamos aqui e muito menos para onde vamos. Segue um playlist  baseado nas lições do pó da estrada:

 

Ramblin Man – The Allman Brothers Band

Música de trabalho do álbum “Brothers & Sisters”, de 1973, a banda de Macon, no estado americano da Geórgia, conta a história de um andarilho que nasceu no banco traseiro de um ônibus de viagem e que já  tinha no DNA um pai que era um jogador sem  destino.

 

And It Stoned Me – Van Morrison

A beleza da insignificância humana perante a natureza é o pano de fundo da experiência vivenciada por dois amigos que planejavam pescar e são surpreendidos por ela, a chuva, mudando destinos, obrigando dois adolescentes  a se abrigarem da tormenta e a pegar carona em uma pick-up de um desconhecido. Canção do irlandês Van Morrison, faz parte do clássico “Moondance”, que já foi resenhado aqui no Neurônios.

 

 

 

Born to Run – Bruce Springsteen

Dois fugitivos do sonho americano, Bruce e sua Wendy, nascidos para correr em busca do que realmente acreditam, andando sob o Sol, além dos palácios, porque como diz o refrão “Vagabundos como nós, baby, nós nascemos pra correr”. Faixa título de Born to Run, de 1975.

Infinita Highway – Engenheiros do Hawai

Os Engenheiros são daquelas bandas que os críticos amam odiar e dizem “ou você ama ou odeia”, assim como os canadenses do Rush. Pois eu não amo nem odeio esses dois trios. No caso dos gaúchos, não gosto de muita coisa, e amo “Refrão de Bolero” e “Infinita Highway”. A linha de baixo  é uma rodovia por onde passam a melodia e a poesia de influência beat. Só por “a dúvida é o preço da pureza, e é inútil ter certeza” já vale constar da lista. O clipe abaixo é uma colagem de vários filmes, entre eles “Na Estrada” (2012), adaptação para a telona do cineasta brasileiro Walter Salles do livro “On the Road”, de Jack Kerouac, com Kristen Stewart, Sam Riley e  Alice Braga, entre outros, no elenco.

Ventura Highway – America

O trio anglo-americano América foi formado em Londres, em 1970, por filhos de militares norte-americanos baseados no Reino Unido. Com forte influência folk, seu maior sucesso é “A Horse With No Name”, também uma grande “viagem”, mas Ventura Highway, de 1972, com suas visões de crocodilos e lagartos no ar ao longo da estrada, não poderiam ficar de fora dessa playlist.

 

Going to California – Led Zeppelin

Pérola do Led Zeppelin IV, de 1971, os músicos ingleses imaginam uma volta a Califórnia, tocando para seus fãs, reencontrando as groupies e os amigos da Costa Oeste.  Com a poesia à flor da pele e citações ao chamado “verão do amor”,  encontramos uma garota com amor nos olhos e flor nos cabelos.

Jesus Numa Moto – Sá, Rodrix & Guarabyra

Em 2001, o músico Zé Rodrix se juntou a dupla Sá & Guarabyra para reformularem o trio que nos anos 70 foi pioneiro do chamado rock rural, com músicas como “Mestre Jonas”, entre outras. Nesse período o duo remanescente fez muito sucesso Brasil afora. O reencontro gerou o ao vivo  “Outra Vez na Estrada”, com canções do trio, da dupla e das carreiras solo. A volta também proporcionou a composição de novas músicas, como é o caso de “Jesus Numa Moto”. Uma viagem pelo autoconhecimento, a estrada como libertação das correntes do limitado mundo material. “ Só espero a hora em que o mundo estanque, pra me aproveitar do conforto de não ser mais ninguém”.

Me and Boby McGee – Janis Joplin

A aventura do casal de hippies que atravessam a América de carona e pagam a viagem tocando gaita e cantando todas as canções que o caminhoneiro sabia é até hoje um dos maiores hinos da geração paz e amor. Janis gravou a canção poucos dias antes de morrer aos 27 anos, em 1970.

Like a Rolling Stone – Bob Dylan

Considerada uma das canções mais influentes de todos os tempos, lançada em 1965, dois anos antes do flower power, quatro anos antes de Woodstock, Dylan já definia o sentimento de toda uma geração. Os jovens se sentiam perdidos em um mundo vazio, como uma pedra rolando. A busca por liberdade, direitos civis e o rock deixando de ser apenas um estilo musical, mas uma nova arma da contracultura contra o sistema.

 

Vila do Sossego – Zé Ramalho

Há exatos 40 anos Zé Ramalho lançava seu álbum de estréia. Antes havia lançado de forma independente o cultuadíssimo “Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol”, em 1975, em parceria com Lula Côrtes. Já no seu trabalho de estreia o compositor paraibano nos convida para uma viagem a um Brasil profundo, selvagem, com suas paisagens misteriosas, suas crenças e lendas folclóricas. Ao viajar por esse belíssimo país continental perigas encontrar uma “Vila do Sossego”.

Hotel California – Eagles

O ano era 1976. O sonho hippie jazia em alguma curva distante da rodovia da história americana. Era a época do soft rock, do rock de arena. Roqueiros lotavam estádios e viviam o mundo material. Canção emblemática dos Eagles, a enigmática letra de Hotel California intriga até hoje. Já foi acusada de conter mensagens satânicas, mas os músicos afirmam que é uma alegoria sobre os excessos da vida americana, coisa que a banda conhecia muito bem.

Green River – Creedence Clearwater Revival

No curto período compreendido entre 1967 e 1972, os californianos do Creedence Clearwater Revival despejaram uma quantidade enorme de singles no topo das paradas, bem como álbuns e coletâneas cultuadas até hoje. A voz de “caipira” de John Fogerty  e o country rock pegajoso da banda nos levam por prazerosas viagens pela América do Norte. Vamos de “Green River”, mas poderia ser “ Born on the Bayou”, “Proud Mary”, “Suzie Q”…

 

 

 

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