3 Tributos- Odair José, Roberto e Erasmo e Arnaldo Baptista

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Por Almir Santos

 

Nas últimas décadas alguns dos mais expressivos artistas nacionais foram homenageados (felizmente muitos deles ainda em vida) na forma de discos tributo, coletâneas em que vários artistas reinterpretam suas canções, muitas vezes dando uma nova roupagem para a ideia original, ás vezes superando a canção reinterpretada e se tornando a versão definitiva e algumas vezes também ficando muito aquém da música original. Há de se lamentar também as produções oportunistas como alguns tributos a Raul Seixas, por exemplo, em que era nítida a intenção simples e mesquinha de faturar em cima da morte do mito, produções em que revisitar a obra com cuidado e interesse artístico era o que menos importava. A dupla Roberto e Erasmo Carlos, Odair José e Arnaldo Baptista foram agraciados por discos revisitando sua obra que de tão maneiros, prestamos também um “tributo” a esses três discos aqui no Neurônios.

 

VOU TIRAR VOCÊ DESSE LUGAR (2006)

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Produção do selo independente goiano Alegro Discos, os conterrâneos de Odair José fizeram um disco tributo acima da média, homenageando um cantor que já foi um dos maiores vendedores de discos do Brasil.  Apelidado com ironia pela crítica de “terror das empregadas” e “Bob Dylan da Central do Brasil”, Odair José ao longo dos anos teve seu trabalho reavaliado, e é citado como influência de diversos artistas fora do chamado estilo brega, nicho em que para muitos foi injustamente inserido. Uma audição mais cuidadosa revela um compositor popular que sabia falar com as empregadas, mas também a seu modo era um eficiente cronista do cotidiano, chegando a ter trabalho com a censura do regime militar por falar de amor livre, sexo, prostituição, controle da natalidade. Em 1977, ambicionava gravar uma “ópera rock”, um disco conceitual inteiro contando uma nova versão da história de Jesus, adaptada para o submundo da realidade brasileira.  As gravações de “O Filho de José e Maria”, que seria um álbum duplo e teria 24 faixas, só foi lançado depois que o artista rompeu com a Polygram e assinou com a RCA. Mesmo assim, saiu com apenas 10 faixas e foi um fracasso comercial. Esse disco “maldito” do cantor popular só abrilhanta sua discografia, que é revisitada nas 18 faixas do tributo.

 

Vou Tirar Você Desse Lugar – Paulo Miklos

 

1 Vou Tirar Você Desse Lugar – Paulo Miklos

2 Vida Que Não Para – Suzana Flag

3 Uma Lágrima – Pato Fu

4 Eu Queria Ser John Lennon – Columbia

5 Ela Voltou Diferente – Mombojó

6 Eu, Você e a Praça – Zeca Baleiro

7 Deixa Essa Vergonha de Lado – Mundo Livre S/A

8 Foi Tudo Culpa do Amor – Suíte Super Luxo

9 Nunca Mais – Shakemakers

10 E Ninguém Liga pra Mim – Leela

11 Cadê Você? – Sufrágio

12 Esta Noite Você Vai Ter Que Ser Minha – Picassos Falsos

13 A Maçã e a Serpente – Poléxia

14 A Noite Mais Linda do Mundo ( A Felicidade) – Jumbo Elektro

15 Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pílula) – Artur de Faria & Seu Conjunto

16 Que Saudade de Você – Terminal Guadalupe

17 Vou Cantar de Um a Três – Volver

18 Cotidiano n.3 – Los Pirata

 

Rei (1994)

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A Sony Music botou seu casting para homenagear a mais bem sucedida dupla de compositores da casa, Roberto e Erasmo Carlos, em um disco tributo mais focado na fase Jovem Guarda, mais rock and roll e com mais afinidades com a geração que revisitou a obra. Totalmente centrado nas composições da dupla gravadas nos discos do Rei Roberto, o trabalho solo de Erasmo passou batido na coletânea. O começo dos anos 70 e o flerte com a soul music também está lá, como na faixa “Todos Estão Surdos”, interpretado por Chico Science & Nação Zumbi. Destaque para a capa da bolacha, de autoria do cartunista Angeli, criador da Rê Bordosa, Bob Cuspe, Os Skrotinhos entre outros. Os artistas do tributo aparecem desenhados pelo traço do mestre Angeli, que foi o criador da saudosa publicação Chiclete com Banana.

 

Todos Estão Surdos – Chico Science & Nação Zumbi

1 É Proibido Fumar – Skank

2 Eu Te Darei o Céu – Carlinhos Brown

3 Namoradinha de Um Amigo Meu – Tony Platão

4 Sua Estupidez – Paulo Miklos

5 Ilegal, Imoral ou Engorda – Biquini Cavadão

6 Cavalgada – Vexame

7 Quando – Barão Vermelho

8 Todos Estão Surdos – Chico Science & Nação Zumbi

9 Parei na Contra-Mão – Cassia Eller

10 Por Isso Corro Demais – Marina Lima & Banda

11 Eu Sou Terrível – João Penca & Seus Miquinhos Amestrados

12 Sentado à Beira do Caminho – Blitz

13 As Curvas da Estrada de Santos – Kid Abelha

 

 

Sanguinho Novo (1989)

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Produzido por Alex Antunes e Carlos Eduardo Miranda para o selo paulistano Eldorado, Sanguinho Novo resgata a obra  de Arnaldo Baptista na carreira solo, bem como nos tempos de Mutantes. Um desfile da cena independente oitentista revisitando o trabalho de Arnaldo, que ainda se recuperava de um acidente quase fatal, quando caiu ao tentar fugir de uma clínica de tratamento mental. Paulo Miklos comparece tocando órgão moog em “Superfície do Planeta”, o que me obriga a dar o título de “mister tributo” para o ex Titã, que é onipresente nas três coletâneas. Nessa época Arnaldo voltou temporariamente aos palcos durante os shows de lançamento do tributo, retornando para seu exílio forçado em um sítio em Juiz de Fora.

 Te Amo, Podes Crer – Maria Angélica Não Mora Mais Aqui

1 O Sol –  Sexo Explícito

2 Dia 36 – 3 Hombres

3 Bomba H Sobre São Paulo – Vzyadoq Moe

4 A Hora E a Vez do Cabelo Nascer – Sepultura

5 I Fell in Love One Day – Último Número

6 Superfície do Planeta – Paulo Miklos

7 Sanguinho Novo – Akira S E as Garotas Que Erraram

8 Jardim Elétrico – Ratos de Porão

9 Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki? – Fellini

10 Sitting in the Roadside – Atahualpa i us Panquis

11 É Fácil – Skowa

12 Te Amo, Podes Crer – Maria Angélica Nâo Mora Mais Aqui