12 de Junho

DRtjeDiUIAEaGy9

por Almir Santos

Há muitas teorias sobre a origem do Dia dos Namorados. A lenda mais famosa é a de que  o Imperador romano Claudius ll proibiu o casamento entre jovens com o objetivo de aumentar a quantidade de soldados disponíveis para o exército. Inconformado com essa decisão, o bispo Valentinus passou a realizar casamentos escondido da autoridade romana. Ao ser descoberto, teria sido preso e condenado a morte. Nos seus dias de prisão, o bispo se apaixonou pela filha cega de um carcereiro. Diz a lenda que Valentinus conseguiu por um milagre restabelecer a visão da jovem. Antes de ser decapitado deixou uma última carta para sua amada, que finalizava com a assinatura “ Do Seu Valentinus”. Daí surgiu o Valentine’s Day. Enquanto em quase todo o mundo a data é celebrada em 14 de fevereiro, no Brasil as comemorações foram oficializadas para o dia 12 de Junho. Dizem que é por que está perto do dia de Santo Antônio, mas historiadores afirmam que foi uma jogada comercial. Afinal, todo mundo sabe que o amor foi inventado por Walt Disney para vender desenho animado e comédia romântica.

Momento ideal para garimpar dez baladas, dessa vez sem ordem de preferência. Uma lista sem uma explicação lógica, assim como as paixões, que um dia nos levantam como um tônico de gigantes e no outro dia podem nos levar até as portas do inferno. Se não gostou, se acha que faltou alguma, manda sua lista também. E boas memórias.

 

 

Êxtase – Guilherme Arantes

 

Você já deve ter ido a alguma cerimônia em que duas pessoas oficializaram sua relação ao som de “Êxtase”. A introdução com sua rica camada de teclados já entrega a influência do rock progressivo. Guilherme Arantes foi vocalista e tecladista do Moto Perpétuo, quinteto paulistano que lançou um álbum homônimo em 1974. A partir de 1975 Guilherme partiu para uma vitoriosa carreira solo, emplacando logo de cara “Meu Mundo e Nada Mais”. A partir daí, uma chuva de hits, como “Planeta Água”, “Amanhã”, e claro, “Êxtase”, de 1979.

 

 

Amor de Índio – Beto Guedes

 

Música que dá o título do segundo álbum de um dos pilares do Clube da Esquina, o mineiro Beto Guedes. Lançado em 1978, o trabalho todo exala uma efervescente paixão. Músicos de primeira linha comparecem nas gravações, como de costume os chegados do “clube”, em parcerias nas composições, bem como tocando em diversas faixas. Amor com tempero mineiro adicionando uma pitada de progressivo e aquele toque Beatles.

 

Angie – Rolling Stones

 

A belíssima balada de fim de romance lançada pelos Stones como single em 1973 também fez parte do álbum Goat’s Head Soup. Há teorias de que seria para a esposa de David Bowie na época, mas oficialmente Keith Richards contou em sua autobiografia que o título foi uma homenagem a Angela, primeira filha do Stone com Anita Pallenberg.

 

Your Love is King – Sade

 

Vocalista e principal compositora da banda Sade, a nigeriana Helen Folasade Adu é dona de uma das vozes mais sensuais da música pop. Já ouvi comentários de que tocar uma coletânea da Sade em uma noite romântica é tiro e queda. O fato é que desde 1984, ano da estréia da banda com Diamond Life, álbum que contém essa jóia “Your Love is King”, a competente banda britânica embala muitas histórias românticas. Filha de mãe nigeriana e pai britânico, Helen foi morar na Inglaterra com a mãe após a morte do pai. Ao conhecer a banda de amigos da escola, decidiu se dedicar mais a música do que aos estudos de desenho de moda, adotando o nome artístico de Sade Adu. Bicho, imagina uma voz aveludada dessa no seu ouvido, em uma noite chuvosa em um apartamento em Paris. Vinho do Porto e luz de velas… Ah, que maravilha viver.

 

Tougher Than The Rest – Bruce Springsteen

 

Baladeiro de mão cheia, poderia fazer uma parada só com o Boss. “Thunder Road”, “I´m on Fire”, “Waiting on a Sunny Day”, “The River”, “Because the Night”, “Hungry Heart”, e por aí vai.

Bruce já teve muitas musas inspiradoras, mas o podium vai para a primeira dama e também vocalista da E-Street Band, Patti Scialfa. “Tougher Than The Rest” é do álbum Tunnel of Love, de 1987. Bruce afirmou que sempre tentou nessas canções recriar a atmosfera de um grande ídolo, Roy Orbison, um dos “pais” do rock and Roll. O chefão humildemente considera que falhou nas tentativas. Em tempo: Roy Orbison faleceu em 1988, do coração.

 

 

Je T’aime Moi Non Plus – Serge Gainsbourg e Jane Birkin

 

A primeira versão desse que pode ser considerado o maior clássico do “amor físico” é de 1967. O compositor Serge Gainsbourg tinha um romance extraconjugal com a atriz Brigite Bardot, que era casada na época. Ambos eram da mesma gravadora e Bardot exigiu que Serge compusesse a maior canção de amor da história para ela, e assim surgiu “Je T’aime Moi Non Plus”. Com o fim da relação, Gainsbourg ficou desolado e se aprofundou em outros projetos artísticos, foi quando conheceu a atriz inglesa Jane Birkin. O conquistador incurável acabou se envolvendo com Jane, e regravou em 1969 uma nova versão de “Je T’aime…, agora com sua nova amada nos vocais. Dessa vez foi um estrondoso sucesso mundial. A proibição da música em diversos países devido ao seu conteúdo erótico só fez aumentar a publicidade. Diz a lenda que o casal gravou a música fazendo amor. O refrão faz uma alusão ao sexo anal quando fala que ” vem e vai entre os teus rins”  ( Je vais et je viens / Entre tes reins). Em 2001, o Ira! Lançou o álbum “Entre Seus Rins”, cuja faixa título faz referência a canção do compositor francês.

 

 

 

Since  I’ve Been Loving You – Led Zeppelin

 

“Trabalhando das sete às onze todas as noites, eu não acho que está tudo certo”. Assim começa o lamento de Robert Plant, mas a canção nem precisava ter letra. A guitarra de Jimmy Page praticamente fala, melhor, grita de dor porque “desde que eu estou te amando, eu estou para perder minha mente atormentada”. Pérola do Led Zeppelin III, de 1970, os ingleses de Birminghan ousaram fazer o maior blues da história, superando os lamentos dos afro-americanos do outro lado do Atlântico.  O desespero culmina com o solo das profundezas da alma dilacerada de Page lá pelo meio até a parte final em que parece que vai desabar o  mundo sobre a sua cabeça. De arrepiar os pelos pubianos da Madre Superiora.

 

I Guess That’s  Why They Call It The Blues – Elton John

 

Ah, os bons tempos da “era de ouro” dos videoclipes dos anos 80. Um exemplo é essa balada de 1983 do Elton John,  onde o vídeo conta a história do rocker que tem que deixar sua gatinha para servir o exército no auge da puberdade e  deixando na dúvida a continuação do relacionamento. “ E eu acho que é por isso que eles chamam de tristeza/ O tempo em minhas mãos poderia ser o tempo passado com você/ Rindo como crianças/Vivendo como amantes/ Rolando como trovão sob as cobertas”.

 

 

Kiss and Say Goodbye – Manhattans

 

Campeã de execução nos bailinhos de periferia, aquelas festas nas garagens em que rolava a famosa dança da vassoura, se você quisesse dançar com uma menina que já estivesse com outro cara era só dar a vassoura para o infeliz, que teria que procurar outra parceira. As meninas faziam a mesma coisa. Ou seja, os boys and girls mais disputados quase nunca conseguiam terminar uma balada com o mesmo par. Lançada pelo grupo vocal norte-americano Manhattans em 1976, eu pensava que se tratava da típica canção de desdedida, de fim de um grande amor. Depois, com o maior domínio do inglês percebi que se trata do afastamento de dois amantes por causa das obrigações, dos compromissos  que cada um dos adúlteros tem. Não deixa de ser lindo, mesmo perdendo o brilho inocente dos bailinhos da escola.

 

Child in The Sun – Nazareth

 

Ninguém faz baladas como o Nazareth. Não a toa a banda capitalizou com isso lançando a coletânea Rock Ballads. Da imortal “Love Hurts”, passando por “”Where Are You Now”, “Games”, “Love Leads To Madness”, a lista é quase infinda. O vocalista Dan McCafferty, como um autêntico Bruno ( da dupla com Marrone) da Escócia parece cantar com o útero. Qualquer canção meia boca fica mais relevante pela intensidade de seu brado grave e único. Child in The Sun, de 1973, fica aqui representando esse legado.

 

 

 

Menção quase honrosa

Há um enorme preconceito com a chamada música brega, mas quem nunca curtiu um Vando, um Ovelha, um Reginaldo Rossi, isso para não falar em Paulo Sergio, Odair José, Amado Batista e a fase mais popular do Rei Roberto em seus momentos de mais profunda paixão. São ‘’evidências”de que tem muito trampo de responsa aí também. Os paulistanos do Língua de Trapo satirizaram essa vertente da canção popular na comovente “O Homem da Minha Vida”, de 2000.

 

 

Quem ficou de fora

 

Trabalho mais penoso do que lapidar a escalação da seleção brasileira de futebol, muita coisa boa ficou de fora. “ Rain and Tears”, do Aphrodite’s Child , por exemplo, não entrou porque na minha interpretação se encaixava mais como uma balada sobre a melancolia e a solidão do que uma canção de amor. “ Crazy for You”, da Madonna também dançou, mas o Elton John representou bem as baladas dos anos 80 ( e olha que foram muitas top). Os metaleiros também amam, mas bateram na trave. “Bringin’ on The Heartbreak”, do Def Leppard escapou por pouco. Mesma sorte tiveram os góticos do The Cure ( nos anos 80 por aqui eram chamados de darks), com seu arranjo baseado na passional música flamenca ”The Blood”. “Please Don’ t Go”, do KC & The Sunshine Band ficou de fora porque… bem porque, ah, estou quase fazendo outra lista.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

+ 58 = 59