Bah, Miranda se foi, véio !!!

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Por Almir Santos

Na última quinta-feira, 22 de março, passou subitamente para o outro lado da Matrix o produtor musical, jornalista, músico e agitador cultural Carlos Eduardo Miranda, aos 56 anos.

Mais conhecido do grande público por ter sido jurado do programa “Ídolos”, do SBT, no período 2006/2007, Miranda foi uma referência na cena gaúcha desde os anos 80 tanto como músico de diversas bandas (destaque para Atahualpa Y Us Panquis e Urubu Rei),  como também um dos fundadores do selo Vórtex, que se destacava por lançar as bandas locais em fitas k7 ( lançou os primeiros trabalhos de Replicantes, Cascavelletes, Graforréia Xilarmônica, De Falla), vinis e compactos que o gaúcho divulgava no eixo Rio-São Paulo, mostrando que havia muita coisa boa longe daquela panelinha. A convite da repórter Sonia Maia, Miranda veio para São Paulo ser colaborador da revista Bizz, ofício que conciliou com o de crítico de filmes pornográficos (isso mesmo) para um jornal paulistano. O incansável faro para descobrir novos sons fez com que Miranda logo fosse convidado para produzir bandas de outras cenas além do pessoal do Sul.

Nos anos 90, quando o rock começava a sair da grande mídia, Miranda foi o cara que deu um novo vigor ao gênero, divulgando Sepultura, Skank, Raimundos, o pessoal do Mangue Beat de Pernambuco, os mineiros do Pato Fu… Bons tempos aqueles em que o jornalista comentava sobre aquela banda de um dos recônditos do país e que ninguém conhecia e afirmava que as gravadoras deveriam abrir os olhos e ouvidos, e vez ou outra, realmente acontecia uma renovação da cena musical.

Eu quase conheci o Miranda pessoalmente. Quando produzia o documentário sobre a revista Bizz, meu TCC com o parça Marcelo Santos Costa, combinamos de gravar um depoimento em uma feira de vinil no Baixo Augusta, em uma tarde de domingo no final de 2011. O fato é que o “maninho” não apareceu, o boato é que tinha tomado um voo para Porto Alegre para ver um Grenal ( clássico entre Grêmio e Internacional). Em tempo: encontramos no evento o Andre Fiori, que divulgava os discos da sua loja Velvet, e o ex colaborador acabou entrando na jogada.

Miranda também foi uma enorme influência na carreira de diversos críticos musicais, de cinema e de quadrinhos, como atesta o jornalista e amigo André Forastieri em depoimento logo abaixo no link. Marcelo Costa, editor do Scream & Yell também recordou a influência do amigo em um top 5 dos discos que ele produziu. Vai em paz divulgar novas bandas no céu, maninho.

 

Nunca houve um amigo como Miranda, por André Forastieri.

Top 5 Discos produzidos por Miranda, por Marcelo Costa.

Top 5 Discos: Carlos Eduardo Miranda

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