Tantos Carnavais

carnaval 2018

Por Almir Santos

 

Nesses dias em que estamos sob a regência de Momo é comum relembrarmos antigos carnavais, até quem não gosta tem uma lembrança positiva, nem que seja a de fugir para um mato para escapar da folia, como eu fazia com meus amigos roqueiros nos anos 90, acampando em São Thomé das Letras. Uma década depois comecei a seguir os bloquinhos da Vila Madalena e sempre que posso agora corro pra folia. Principal festa popular brasileira, o Carnaval literalmente coloca o país em sincronia. Historiadores afirmam que o termo Carnaval vem do latim “carnis levale”, que significa retirar a carne. Seria uma tentativa da Igreja Católica, quando começou a crescer e ganhar força política, de controlar a festa pagã. Os foliões deveriam se divertir moderadamente respeitando o período da Quaresma. Provavelmente o Carnaval que chegou ao Brasil pelas mãos dos colonizadores seja uma adaptação das festas pagãs da Grécia e Roma antiga. Celebrações ao Deus romano do vinho Baco ( Dionísio para os Gregos), envolviam muita música, bebida e orgias. Hoje podemos ver que em outras partes do mundo o carnaval é celebrado das mais diversas formas e até em períodos diferentes, de acordo com as adaptações culturais de cada região. Se você vir o carnaval de Veneza, não vai associar a mesma festa que fazemos aqui. No nosso país de dimensões continentais a festa foi se adaptando e temos hoje as escolas de samba do Rio, o frevo de Pernambuco, os mais variados ritmos da Bahia, onde o Trio Elétrico foi inventado por Dodô e Osmar. Como somos viciados em listas, não resistimos a tentação de escolher cinco músicas cujo tema remete ao chamado “Maior Espetáculo da Terra”.

 

5 – Retalhos de Cetim (1973) – Benito di Paula

O fluminense de Nova Friburgo Benito di Paula morava em São Paulo quando compôs Retalhos de Cetim, música que começou a fazer um burburinho na região do Bixiga ( Bela Vista), reduto sambístico na época. A partir daí contrato com a Copacabana, o Brasil e o mundo.

 

 

4 – Enredo do Meu Samba (1984 ) –  Sandra de Sá

 

Tema de abertura da novela Partido Alto, a composição de Jorge Aragão e Dona Ivone Lara foi um enorme sucesso naquele período.

 

 

3 –  Vai Passar (1984) – Chico Buarque

 

A brilhante letra de Chico Buarque contextualiza o período em que a canção foi lançada, tempos de redemocratização, fim do governo militar. A nostalgia dos antigos carnavais  e a história da pátria tão subtraída em tenebrosas transações.

 

 

 

2 – Máscara Negra (1967) – Dalva de Oliveira

Composta por Zé Keti  e Pereira Matos, a marchinha venceu um concurso de músicas para o Carnaval de 1967.  Gravada pelo próprio Zé Keti, a versão de Dalva de Oliveira é considerada a definitiva.

1- Não Deixe o Samba Morrer (1975) – Alcione

 

A composição  de Edson Conceição e Aluísio Silva foi gravada pela marrom em 1975, e no ano seguinte entraria para a história do nosso samba, embalando muitos carnavais.

 

 

 

 

 

 

Destaques e Alegorias

 

 O bloco

Se você  ainda não seguiu o Bloco Bicho Maluco Beleza, do Alceu Valença, não perca a oportunidade quando ele passar pela sua cidade. Além de relembrar várias marchinhas de carnaval os clássicos do pernambucano “Anunciação”, “Morena Tropicana”, “Como Dois Animais”, “La Belle de Jour”, entre outros, estão sempre presentes.  Já fui duas vezes no Maluco Beleza e definitivamente cheguei a conclusão de que Alceu  inventou o Brasil.

 

 

Carnaval Nerd

 

Os  irmãos Gama comandavam o já saudoso  Cangaia Nerd e nos brindaram há três anos com um programa de Carnaval, comentando os uniformes mais “carnavalescos” dos heróis.

 

 

 

Pra tudo se acabar na quarta- feira

O carnaval não inspira somente o pessoal do samba. O Dead Can Dance nos remete a um clima de fim de festa, uma atmosfera gótica, densa, contemplativa. O carnaval acabou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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