Sam Cooke

Sam_Cooke

     Por Almir Santos

 

Considerado pela revista Rolling Stone  o 4º maior cantor de todos os tempos e o 16º maior artista da história, é uma pena que Sam Cooke seja tão pouco conhecido por aqui. Nascido em 22 de Janeiro de 1931 em Clarksdale, Mississipi, Cooke foi o primeiro artista negro da indústria norte-americana a ter pleno controle de sua carreira, compondo suas próprias canções, produzindo e abrindo seu próprio selo, a gravadora SAR, fechada após seu falecimento, em 1964. Um dos pioneiros da Soul Music ao lado de Ray Charles, ambos levaram o tradicional gospel das igrejas frequentadas pelas comunidades afrodescendentes para o mercado de música secular. Era comum na época a adaptação de temas religiosos para a música pop por esses artistas, como é o caso de “I Got a Woman”, em que Charles afirmava que  “tinha uma mulher na cidade, e ela era boa para ele”, quando o refrão original dizia que havia um homem santo na cidade anotando nomes. Quando descobriram que Ray era cego, então, pensaram que se tratava de um enviado do demônio. Sam Cooke ainda tinha uma vantagem em relação a Ray Charles, por ter um enorme sex appeal e uma voz aveludada, somada a capacidade de compor canções fáceis que grudavam como chiclete, conseguia sair do gueto da comunidade negra, vendendo milhões de discos nas paradas “brancas”, um de seus fãs era o Rei do Rock, Elvis Presley, que sabia cantar boa parte do repertório de Cooke.

Essa divisão racial da parada americana seria definitivamente quebrada pelo próprio Elvis, considerado um “branco que cantava e dançava com o suingue de um negro”. A partir de 1957, Sam Cooke emplacou inúmeros hits como “You Send Me”, “Wonderful World”, “Bring it on Home to Me”, entre outros, mas isso não impediu que o jovem casado, pai de dois filhos, rico e famoso (Cooke tinha uma Ferrari) sofresse discriminações raciais. Ao ser barrado na entrada de um hotel por ser negro, aquela situação despertou no cantor o desejo de contribuir mais ativamente com o movimento dos direitos civis, que estavam em ebulição na época, sob a liderança do pastor Martin Luther King.  Ao ouvir “Blowin in the Wind”, de Bob Dylan, Cooke também se tocou que não havia composto nenhuma canção que expressasse os desejos de mudança da sociedade naquele começo de anos 60.  Assim surgiu “ A Change is Gonna Come”, que só foi lançada postumamente, dias após seu trágico assassinato.

Cooke era um boêmio inveterado e tinha o costume de sair  para beber e virar a noite, ás vezes com garotas que encontrava pelos bares.  No dia 10 de Dezembro de 1964, o cantor conheceu uma jovem de 22 anos chamada Elisa Boyer. Resolveram estender a noite para um Motel barato de Los Angeles, o Hacienda. Ao acordar no quarto do estabelecimento sem suas roupas e documentos e  ao notar a ausência de Elisa no local, Cooke foi  completamente nu reclamar com a gerente do Motel que havia sido roubado, e ainda acusou Bertha Franklin, que administrava o Hacienda, de ter acobertado a fuga de Elisa Boyer e estar envolvida no roubo. A confusão culminou com um tiro no peito, disparado por Bertha, que alegou legítima defesa. Encerrava-se assim a carreira de Sam Cooke, mas sua influência perdura até hoje. Na cerimônia de posse de Barack Obama, em 2009, a cantora  soul Bettye LaVette e o roqueiro Bon Jovi fizeram um dueto interpretando “ A Change is Gonna Come”.

 

Live At the Harlem Square Club, 1963

Registro ao vivo onde Cooke desfila alguns de seus hits. Destaque para o domínio da plateia, o enorme carisma e o completo controle do público. Embora curto, um dos discos ao vivo favoritos da casa. Ouça sozinho, mas funciona muito bem numa festa. Clássico atemporal.

Live At Harlem Square Club

 

 

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