Psicodelia no Mundo: América do Sul

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No ano em que o “ verão do amor” e o Big Bang do movimento psicodélico são mundialmente revisitados por marcos como os 50 anos do álbum Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, dos Beatles e o festival de Monterey, na California, entre outros acontecimentos, nós aqui do Neurônios já marcamos presença indicando o obrigatório livro do Bento Araújo Lindo Sonho Delirante, uma compilação de 100 discos essenciais da psicodelia brasileira. Viagem essa tão prazerosa que já dá vontade de arrumar as mochilas, desbravar nosso continente e conferir como nossos “hermanos” absorveram essas informações que vinham do norte e adicionaram elementos de sua música local, criando um rock psicodélico com identidade própria, a exemplo do que fizeram os Mutantes por aqui. Nessa nossa primeira garimpada por terras sul-americanas indicamos três trabalhos de bandas que hoje são cultuadas mundialmente por aficionados da música psicodélica em geral:

Aguaturbia (Chile)

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Aguaturbia (1969)

Uma das bandas pioneiras da psicodelia na América Latina, o Aguaturbia foi formado em Santiago, em 1969 por Carlos Corales (guitarra), sua esposa Denise (voz), Ricardo Briones (baixo) e Willy Cavada (bateria). A banda já estreou causando polêmica logo na capa do primeiro disco, com os membros da banda posando nus. Nas apresentações ao vivo, as performances da menina Denise eram consideradas um tanto quanto ofensivas para boa parte da sociedade chilena daquele fim de anos 60. A partir de 1973, com a deposição do governo de Salvador Allende e o início da ditadura militar com o general Augusto Pinochet, a situação só piorou para a juventude que buscava novas formas de expressão. Após um período em que a banda tentou a sorte na América do Norte, sob o nome Sun, o Aguaturbia encerrou as atividades em 1974. Em 1993 houve um reencontro e os chilenos permanecem em atividade até os dias atuais.

Almendra ( Argentina)

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Almendra (1969)

Formado em Buenos Aires em 1968, o Almendra é considerado um dos expoentes do rock argentino, o que não é pouca coisa (voltaremos a fazer uma viagem mais aprofundada pelo rock da terra de Piazolla, Messi e Paola Carosella). Liderado por um dos nomes mais cultuados do Rock Latino em todos os tempos, Luis Alberto Spinetta nas guitarras e voz, a banda se destacou pelas letras poéticas de “El Flaco”, chegando a fazer um enorme sucesso no Peru, a ponto de serem confundidos com os Rolling Stones pela Polícia Rodiviária peruana. Compunham o Almendra Del Guercio no baixo e vocais de apoio, Edelmiro Molinari na guitarra e vocais de apoio e Rodolfo Garcia na bateria, e também apoiando nos vocais.  Após divergências musicais e o fim precoce do Almendra, Spinetta voltaria e marcar seu nome na história do rock argentino com um novo projeto, o Pescado Rabioso.

Traffic Sound ( Peru)

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Virgin – Traffic Sound (1970)

Os peruanos do Traffic Sound começaram sua jornada em 1967 fazendo covers de The Doors, Jimi Hendrix Experience, Cream, Iron Butterfly e The Animals. O primeiro álbum, “ A Bailar Go Go”, é composto basicamente de covers das bandas citadas. As influências andinas podem ser notadas no segundo trabalho, Virgin, já composto por sons autorais, destaque para o hit “Meshkalina”. No terceiro trabalho, III, de 1971, aprimoram a influência de sons regionais com rock, já expandindo sua sonoridade para um rock mais progressivo. Em 1972, Manuel Sanguinetti (vocais), Freddy Rizo-Patrón (guitarra base), Jean Pierre Magnet (sax), Willy Barclay (guitarra solo), Willy Thorne (baixo) e Luiz Nevares (bateria) decidem encerrar a banda.

 

 

 

 

 

 

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