3 Clássicos Indies Injustiçados

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por Almir Santos

O termo indie nos dias atuais deve ser citado entre aspas, uma vez que é impossível escrever sobre música pop independente com a mesma conotação original. Em um passado não muito distante as coisas eram bem definidas, havia as grandes gravadoras (as multinacionais como Sony, EMI, BMG entre outras) e os pequenos selos ( Baratos Afins e Sub Pop apenas para citar duas emblemáticas, uma brazuca e outra norte-americana), que definiam muito bem a indústria musical entre esses dois polos. Era comum artistas com uma proposta mais ousada e criativa assinarem inicialmente contratos com as gravadoras pequenas e depois serem “descobertos” pelas grandes. Para o bem e para o mal, a modernidade está aí. Hoje ambas ainda persistem, mas ocupando um naco bem menor de um mercado que praticamente deixou de existir. Hoje é possível um músico ter uma ideia, gravar na mesma hora no seu notebook e colocar sua música na internet para o mundo inteiro. Os custos para se produzir um álbum caíram na mesma proporção em que caíram as vendas de discos físicos. As gravadoras sem receita pararam de investir em novos talentos, sem verba até para promover os lançamentos dos já consagrados. Em seu livro “Cheguei Bem a Tempo de Ver o Palco Desabar”, o jornalista Ricardo Alexandre aponta para o fato de que quando a Maria Bethânia virou artista independente, o cenário indie acabou. Se artistas antes chamados de medalhões como Chico Buarque, Rita Lee e Edu Lobo começam a gravar por pequenos selos, sobra o quê para os “pequenos”? Alexandre constata também que pelos menos desde o longínquo ano de 1999 não rola um mega-hit do rock nacional, desses que são cantados tanto pelo playboy das baladas da Augusta quanto pela empregada doméstica durante seus afazeres. Naquele ano o Los Hermanos estourou com a balada “Anna Julia” e os Raimundos emplacaram sua “Mulher de Fases”. Esses foram os últimos grandes petardos pop a romperem as barreiras das Am, Fm e dos “elevadô”, já citando ” A Mais Pedida”, outro hit dos Raimundos do mesmo período. Nos últimos anos me veio a lembrança de alguns sons que se tornaram cult no circuito independente, e que, se o cenário fosse outro, teriam potencial para se tornarem sucessos tão avassaladores como as citadas Anna Julia e Mulher de Fases.

Cama – Cérebro Eletrônico
Uma balada com sabor tropicalista, pontuada pelas modernidades eletrônicas do combo liderado por Tatá Aeroplano. A injustiçada trilha sonora oficial do ano de 2010

Mi Vida Eres Tu – Vanguart

Destaque de “Boa Parte de Mim Vai Embora”, o passional trabalho dos mato-grossenses do Vanguart de 2011.

Quase Um Alcoólatra – Wander Wildner

Em 1999  o gaúcho Wander Wildner nos brindou com este hino etílico que poderia ser cantado tanto pelos requintados apreciadores de Passport quanto pelos bebedores de São Francisco desse meu Brasil.

Leia Também: Cheguei Bem a Tempo de Ver o Palco Desabar (2013, Arquipélago Editorial) – Ricardo Alexandre

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