Jornalismo, causos e Rock and Roll

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Jornalismo, causos e Rock and Roll, uma história da Bizz

No meio dos anos 80 o Brasil vivia um período de muitas mudanças. Uma nova República surgia e teríamos a possibilidade de votar para presidente pela primeira vez após décadas de ditadura militar. A grande mídia enfim descobre o jovem. Alguns meses após o primeiro Rock in Rio surgia a Bizz. Em agosto de 1985 um público carente de informações sobre novidades de pop rock e cultura jovem em geral (vivíamos em uma época em que os discos internacionais das principais bandas, quando saíam aqui,eram com meses, anos de atraso) tinha enfim uma publicação antenada com o que de melhor surgia no cenário internacional sem deixar de lado o que acontecia por aqui. O resto é história.

Corta para algum dia de 2011. Dois estudantes de jornalismo precisam definir qual será seu TCC. Quando propus a ideia de realizar um documentário sobre a revista Bizz, por causa de sua relevância, meu colega de curso Marcelo Santos Costa e nosso orientador Fabio Venturini tinham dúvidas quanto à viabilidade do projeto. Conseguiríamos entrar em contato com as fontes e entregar o trabalho no prazo? Teríamos um ano de muito trabalho pela frente até o meio de 2012, fora lidar com deslocamento para as gravações, as dificuldades com edição etc.

Uma carta na manga era que eu fazia parte da comunidade da Bizz desde os tempos do Orkut, por volta de 2006 e posteriormente, quando ela migrou para o Facebook. Já participava dos famosos Orkontros, onde conheci figuras como Alex Antunes, José Flavio Jr, Ruy Goiaba (Rogério Ortega), Marcelo Costa, Regis Tadeu, Arnaldo Branco, entre tantos outros. Quando comentei na comunidade a ideia do doc o entusiasmo da galera em participar nos encorajou mais ainda e fomos pras cabeças.

A título de curiosidade, gostaria de deixar registrado que a ideia de incluir a Bia Abramo e a Sonia Maia foi do Ayrton Mugnaini Jr, que nos forneceu os contatos. A entrevista que mais gostei de fazer foi com o Ricardo Alexandre, porque além do fato de ter sido o último editor da Bizz, Alexandre nos revelou bastidores sobre o fim da revista, isso tudo fora o trampo de nos deslocarmos até Jundiaí com equipamento de gravação em uma manhã de sábado até chegar no condomínio do entrevistado. A abertura do curta, utilizando as “Fichas Bizz”, que eram fichas com as biografias dos artistas, foi ideia do Antonio Basilio, que trabalhava no laboratório de áudio e vídeo da faculdade. Lembro quando cheguei para acompanhar a edição uma noite e o Basílio me mostrou uma “ideia” que teve, um esboço da abertura utilizando as fichas. Eu chamei o cara de gênio e me questionei como não tinha pensado nisso antes. Lamentamos muito a ausênsia do André Forastieri, um dos principais editores da revista, e que não pode nos esperar quando nos atrasamos uns 20 minutos para uma entrevista em um final de tarde na zona oeste de São Paulo. Não poderia deixar de registrar as contribuições da Mariana Velozo na edição, auxiliando o Basilio, e a parceria do amigo Valmir Monteiro, que seria o terceiro membro do TCC, mas abandonou o curso com problemas de saúde, reduzindo a equipe a um duo.

Mas valeu a pena, e parafraseando o Ricardo Alexandre no final do curta, eu diria que faria de qualquer forma. Houve a possibilidade de contar essa história no trabalho de conclusão de curso, mas agora passo a bola para algum dos ex-editores da Bizz se prontificar a escrever uma biografia, ainda resta muita história pra contar.

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